terça-feira, 16 de maio de 2017

REVISTA N’ATIVA

Isaac Melo


Em julho de 1995 passou a circular no Acre a revista “N’Ativa: uma revista de ideias”, publicação sob a responsabilidade da Fundação Garibaldi Brasil, cujo presidente era o jornalista Antonio Alves. E trazia como equipe editorial Franklin Andrade (Zero e 1.º número), Simony D’Ávila (2.º número em diante), Jorge Henrique Queiroz e Antonio Alves. O editorial do primeiro número (número zero) dizia o seguinte:

“Esta revista já devia ter surgido há muito tempo. A gente pensa, discute, reclama, argumenta, cria. Mas as palavras se perdem no tempo. Mas o pior já passou. Aos poucos estamos conseguindo reacender a antiga chama, recuperar o gosto pela aventura da arte, a paixão pelas ideias, o movimento, a festa, a alegria de viver. O Acre foi desmatado, agredido, humilhado. O povo foi jogado de um lado para outro, contado e marcado como gado. Os guerreiros da luz se dispersaram. Tudo parecia perdido: a memória, o futuro, o sentido. Mas eis que, de repente, sem ninguém esperar, as flores brotaram novamente. Sobrevivemos. E estamos ainda mais fortes, mais experientes, mais capazes.
Enquanto lutamos, vamos conversando. Contando causos, tirando versos, lembrando sonhos, dizendo onde dói e onde faz cócegas. Pra isso precisamos de uma revista. Aqui está ela, finalmente. Basta escrever, fotografar, desenhar e entregar até o dia 10 de cada mês. Dinheiro? Não tem. Ser pobre sempre foi o nosso defeito e qualidade. Mas a gente dá um jeito. A roda não foi inventada só uma vez.
O importante é o amor que temos. Esse mundo é nosso, por herança e conquista. Enganaram-se os que pensavam que havíamos desistido, morrido ou partido.
Estamos vivos, estamos aqui, n’ativa.
Rio Branco, Acre,
Julho de 1995”

A revista tinha publicação mensal, com atrasos que variavam de um mês a quatro entre cada edição. Ao certo, não sei quantos números houve. A coleção a qual me pertence, conta com seis números (0 a 5), a começar de julho de 1995 a maio de 1996. Aborda temas variados, com enfoque na cultura amazônica-acreana. Os artigos são assinados por diversos fazedores de cultura à época, artistas, jornalistas, cineastas, professores, estudantes, etc, tais como João Veras, Silvio Margarido, Danilo de S’Acre, Antonio Alves, Edson Alexandre, Francisco Dandão, Felipe Jardim, Cezar Negreiros, Fátima Almeida, Mauricélia Sousa, Márcio Chocorosqui, Simony D’Ávila, etc. Em seguida, as respectivas capas da revista com o índice de cada uma.

p.s. agradecimento ao artista plástico Danilo de S'Acre pela gentileza da doação dos exemplares de a N'ATIVA. O exemplar número zero pertence ao amigo e músico João Veras.

N’ATIVA (número zero, julho de 1995)
Terra em Transe
Francisco Dandão procura um assunto e acaba dando um balanço do planeta. (p.4)
(E)Ventos e Esperanças
João Veras critica as políticas oficiais para a Cultura. (p.6)
O impacto do voo da borboleta na atual crise financeira global
Luís Carvalho demonstra cientificamente que o mundo endoidou de vez. (p.09)
Lembrança D’água
Antonio Alves mergulha no tempo. (p.12)
BETHO ROCHA
Uma entrevista teatral. (p.16)
Arte toc-pop-ok
Danilo de S’Acre pinta a condição de artista num texto de corpo abstrato e alma figurativa. (p.22)
A difícil busca do passado
Mauricélia Sousa e equipe mostram as alegrias e dificuldades da pesquisa histórica. (p.24)

N’ATIVA (número 1, setembro de 1995)
Caros leitores
Reportagem de Simony D’Ávila sobre o Programa de Leitura da FGB (p.04)
Ética das imagens
Efeitos do bombardeio da mídia no entendimento do mundo. Texto de Cleidson Rocha. (p.07)
Eu só quero é ser feliz...
Uma canção inocente, mas nem tanto. É o que escreve Carlos Eduardo dos Reis. (p.09)
As cinquenta dúvidas de Chico Pop
Felipe Jardim multiplica as referências culturais das últimas décadas pelas dúvidas de seu principal cronista. (p.15)
Antonio Manoel
Uma entrevista radical. (p.16)
Viagem da Saúde à Amazônia
Marcos Montyzuma lembra a importância da expedição chefiada por Carlos Chagas há 82 anos. (p.22)
Contando histórias
O “repercussionista” Silvio Margarido comenta o CD de Naná Vasconcelos e reclama da surdez coletiva. (p.26)

N’ATIVA (número 2, outubro de 1995)
Arte na Academia
Reportagem de Márcio Chocorosqui sobre a Oficina de Teatro da UFAC. (p.04)
Inventário de uma perda
Quem ainda não sentiu a dor de uma separação? Texto de Jane Vilas Boas. (p.08)
Enfim, iguais
A “racionalidade” do progresso e a perda da identidade regional. Texto de Fátima Almeida. (p.13)
Geração sibipiruna
Antonio Manoel tem visão deslumbrada na praça. (p.14)
Escrever é fácil.
Lições de história e jornalismo na entrevista com José Chalub Leite. (p.16)
Modernidade
César Augusto Félix distribui carapuças culturais. (p.26)

N’ATIVA (número 3, novembro de 1995)
Aonde o povo está
Reportagem de Márcio Chocorosqui sobre os rádios populares da Prefeitura. (p.04)
Frutos envenenados...
Um conto de Francisco Dandão. (p.08)
Uma Trika qualquer
Danilo de S’Acre contra a crise. (p.13)
A arte das apostilas
Uma incrível técnica de emburrecimento. Texto de Antonio Alves. (p.14)
O sonho acreano
Entrevista histórica com Fátima Almeida. (p.16)
Lembrando o Girau
César Augusto Félix coloca o passado sobre a mesa do agora. (p.26)

N’ATIVA (número 4, dezembro de 1995)
A escola verde
Reportagem de Márcio Chocorosqui sobre a Escola de Meio Ambiente da Prefeitura (p.04)
Varadouros da vida
Do Amapá, Elson Martins lembra Chico Mendes e a luta acreana nos anos 70. (p.08)
Os anjos choram
Viagem de Arnóbio Marques no tempo. (p.12)
Reservas do futuro
O sonho de Chico Mendes é viável, garante Ecio Rodrigues. (p.21)
Fala, Chico!
Entrevista de Chico Mendes na “Rádio Floresta”. (p.24)
Entrevista com Marina Silva
Sinais da vida inteligente no planeta Terra. (p.28)

N’ATIVA (número 5, maio 1996)
Centro de Multimeios
Uma nova proposta para juntar Educação e Cultura. Reportagem de Márcio Chocorosqui. (p.04)
Pegadas no ar
Antonio Alves vê no trablho dos artistas um meio de juntar passado e futuro. (p.08)
O futuro passou
José Leite lembra os “modernismos” que chegara ao Acre e se rende aos novos tempos. (p.12)
Tradições e modernidades
Entrevista com Clodomir Monteiro. (p.16)
A imagem do desencontro
Gerson Albuquerque mostra como o preconceito constrói uma falsa imagem das nações indígenas. (p.24)
O desencontro da imagem
A Amazônia dos colonizadores e as ilusões de uma ciência etnocêntrica. Texto de Hideraldo Costa. (p.28)